quarta-feira, 23 de maio de 2012

70 anos do primeiro disparo da FAB

  HISTÓRIAS
  70 anos do primeiro disparo da FAB
     "70 years of the FAB's first shot"

Aviação de Patrulha
70 anos do primeiro disparo da FAB em combate na Segunda Guerra.
Segunda Guerra Mundial, litoral brasileiro. Há sete décadas, um bombardeiro B-25 realizava o primeiro ataque da Força Aérea na batalha do Atlântico Sul

O Brasil ainda não estava em guerra contra o nazismo, o Ministério da Aeronáutica contava apenas 15 meses de criação e os Capitães Aviadores Parreiras Horta e Pamplona estavam no meio da formação operacional nos bombardeiros B-25 B Mitchell. 

Entretanto, em uma tarde de 22 de Maio de 1942 eles escreveram seus nomes na história da FAB). E a tinta seriam as bombas lançadas sobre o inimigo.
Quatro dias antes, o navio Comandante Lyra havia sido atacado em águas brasileiras por um submarino italiano, a aproximadamente 330 km de  de Fernando de Noronha. Seria a oitava embarcação do país atingida pelas forças do Eixo.

Danificado por disparos de um torpedo, de bombas incendiárias e de disparos de canhão 100 mm e metralhadoras, o navio não afundou, mas pegou fogo e deixou uma imensa nuvem de fumaça, visível pelo trajeto em que seguiu rebocada até Fortaleza.

A guerra havia chegado à costa brasileira. Cada voo da FAB, mesmo os de treinamento, era realizado com a máxima atenção. Qualquer submarino ou embarcação que não pudesse ser identificada seria considerado hostil.

Bélgica, França, Holanda, Dinamarca, Noruega, Polônia e outros países da Europa, Ásia e África já haviam sucumbido e encontravam-se ocupados pelo Eixo. Crescia a importância estratégica do litoral brasileiro, fundamental para o esforço logístico aliado.

Assim, com todo esse cenário, os pilotos da FAB ao lado de militares da aviação do exército dos Estados Unidos, decolaram para mais uma missão de treinamento. Os brasileiros se revezavam nas funções de navegador e piloto da aeronave em vários trechos da missão.

Até que às 13h57 daquela sexta-feira, dia 22 de maio, um submarino foi avistado. O comandante do B-25, Capitão-Aviador Oswaldo Pamplona, não teve dúvidas e atacou o alvo. Era o batismo de fogo da FAB na Segunda Guerra Mundial.

A decisão rápida do aviador surtiu efeito. O submarino foi pego de surpresa. A 300 metros de altitude, o B-25 sobrevoou a embarcação da proa à popa e lançou 10 bombas de 45 kg. Em segundos, começaram as explosões próximas ao casco. Somente depois do lançamento começou o ininterrupto fogo antiaéreo. A embarcação iniciou uma curva e começou a expelir fumaça dos motores diesel. Enquanto o bombardeiro mantinha contato visual com o alvo e informava o comando sobre o ataque, os disparos do canhão continuavam, até que a aeronave desapareceu nas nuvens. Antes do pouso em Fortaleza, mais aviões já haviam decolado para caçar a ameaça inimiga na costa brasileira, mas o alvo não foi mais encontrado.

O submarino era o Barbarigo, da Regia Marina italiana. Era exatamente o mesmo que havia atacado o Comandante Lyra. Com 73 metros de comprimento, velocidade de até 30 km/h, 2 canhões de 100mm, 4 metralhadoras e 8 tubos para lançamento de torpedos, o Barbarigo foi o primeiro submarino atacado pela Força Aérea Brasileira na Segunda Guerra Mundial. Até o final conflito no Atlântico Sul, 11 deles foram afundados em cerca de 15 mil missões de patrulha. Um número maior de ataques aconteceu.
A FAB utilizou vários modelos de aeronaves nas missões de defesa da costa brasileira, entre eles o PBY-5 Catalina, A-28 Hudson, PV-1 Ventura e PV-2 Ventura. Mas o B-25 já entrou em operação com fama operacional. O primeiro voo do modelo aconteceu em 1940, já durante a Segunda Guerra Mundial, mas o bombardeiro com as peculiares asas de gaivota invertidas participou do conflito em todas as partes do mundo.
Pouco menos de um mês antes do ataque brasileiro ao submarino Barbarigo, 16 aviões B-25 B americanos fizeram uma das mais famosas missões de bombardeiro na Segunda Guerra. A partir de um porta-aviões, decolaram e atacaram cidades japonesas como uma resposta à ação japonesa em Pearl Harbor, em abril de 1942. O “raide de Doolitle”, como a ação ficou conhecida em homenagem ao comandante da missão, começou a mais de 1.200 km de distância dos alvos, grande parte sobre território hostil, uma prova do longo alcance e dos bombardeiros. O fato é retratado no filme “Pearl Harbor”.

Quando o Capitão Pamplona decidiu atacar a embarcação desconhecida naquele 22 de maio de 1942, os aviadores da FAB estavam no comando de um dos bombardeiros mais modernos então em operação no mundo. O Brasil possuía 6 B-25, que voavam a partir da Base Aérea de Fortaleza no Agrupamento de Aviões de Adaptação, uma unidade criada para treinar os militares brasileiros para os aviões recém-adquiridos.

O Brasil foi o único país da América do Sul a receber esses bombardeiros ainda durante a Segunda Guerra Mundial. Até 1944, trinta B-25 dos modelos B, C, D e J foram recebidos para unidades que cumpriam missões de patrulha marítima, escolta de comboios de navios e treinamento de bombardeio, a partir das Bases Aéreas de Fortaleza, Recife e Natal. Um B-25C, que não foi formalmente transferido para a FAB, foi utilizado na Itália como avião de transporte de apoio ao 1° Grupo de Aviação de Caça, unidade que entrou em combate na Europa em 1944.
Com o fim da Guerra, milhares de aviões dos Estados Unidos ficaram disponíveis para programas de assistência militar, e o Brasil recebeu mais 64 B-25, do modelo J, o mais avançado. Essas aeronaves permaneceram em operação até 1970, tendo operado em esquadrões de bombardeio e até no 1° Grupo de Aviação Embarcada, mas sem pousos ou decolagens a bordo do porta-aviões, servindo apenas como plataforma para treinamento dos pilotos antes do recebimento dos bimotores P-16 Tracker.

Os B-25 também fizeram parte da dotação de esquadrões ainda ativos: o 1°/4° GAV, o 1°/5° GAV, o 2°/5° GAV e o 1°/10° GAV, onde cumpriam as missões de reconhecimento, hoje a cargo dos caças A-1. Já designados CB-25 e sem as metralhadoras de auto-defesa, esses aviões encerraram a carreira na FAB com missões de transporte em apoio a bases aéreas e parques de material de aeronáutica.

Brasil caçou submarinos ao longo da costa
A Segunda Guerra chegou às portas do Brasil em 1942. Em três anos, 71 embarcações foram atacadas em águas brasileiras por submarinos inimigos. No total, o país perdeu mais de 30 navios ao redor do mundo, a maior parte deles no litoral brasileiro. Cerca de 1.500 pessoas morreram. 
Com apenas um ano de criação, e em fase de reestruturação, a Força Aérea Brasileira foi convocada para patrulhar o litoral brasileiro. “A guerra submarina, perversa e implacável, prossegue num crescente vertiginoso”, escreveu Ivo Gastaldoni, piloto de patrulha e veterano da Segunda Guerra.

Em apenas três dias do mês de agosto de 1942, o submarino U-507 alemão afundou seis navios e matou 627 pessoas. Essa seqüência de ataques foi decisiva para que o Brasil declarasse guerra aos países do Eixo, em 22 de agosto.

O Brasil tinha como vizinhos as Guianas Francesa e Holandesa, ambas sob o controle nazista e que serviam como posto de abastecimento de submarinos inimigos. Os navios cargueiros com destino aos Estados Unidos, e de lá para o Brasil, precisavam de escolta aérea e naval.
No esforço de guerra, o Brasil criou novas bases aéreas, recebeu equipamentos e treinamento por meio de um convênio firmado com os Estados Unidos. Unidades Aéreas americanas foram enviadas ao país. Nascia a Aviação de Patrulha.

Fonte

www.fab.mil.br

domingo, 6 de maio de 2012

Heinkel HE-219 resgatado na Dinamarca


  HISTÓRIAS
   Destroços de um Heinkel HE-219 resgatados na Dinamarca
   "Wreckage of a Heinkel HE-219 rescued in Denmark"

Destroços de um caça da Segunda Guerra Mundial são resgatados do mar na Dinamarca.


Destroços enferrujados de um bimotor alemão Heinkel HE-219 da Segunda Guerra, do qual existe apenas um exemplar intacto no mundo, foram resgatados ao largo da costa dinamarquesa, conforme um comunicado do Museu Militar de Aalborg, na quarta-feira, 25/04/2012.

A maior parte dos pedaços da aeronave foram resgatados na segunda-feira, mas em um estado muito precário de conservação, em virtude dos longos anos em que permaneceram nas águas do mar, a pelo menos três metros de profundidade, na baía de Tannis, a oeste da ponta norte da península de Jutland.
"O Heinkel He-219 é um Caça Noturno, uma das aeronaves mais sofisticadas do seu tempo.", disse o presidente da Associação Dinamarquesa de Historiadores da Aviação, Ib Loedsen. "Foi um caçador furtivo que aproveitava a noite para atacar bombardeiros inimigos."
Era equipado com radar e assentos ejetáveis.

Uma cópia desta unidade, a única além dos destroços encontrados em território dinamarquês, está em exibição no Museu do Ar e do Espaço, em Washington, nos EUA.
O Modelo preservado daquele Museu foi encomendado em abril de 1943, possui cockpit pressurizado, medindo 15 metros de comprimento e 18 de largura. O alemães fabricaram cerca de 300 exemplares.

Ele era muito temido pelas aeronaves aliadas, das quais foi responsável pelo abate, em apenas duas semanas (em junho de 1943), de vinte e cinco bombardeiros da RAF, incluindo seis de Havilland "Mosquitos", conforme o site American Museum.
"Os destroços foram descobertos ao largo da costa da Dinamarca em Abril de 2011 graças a uma forte tempestade que atingiu uma parte do avião presa na areia.", disse um dos mergulhadores que trabalharam no resgate dos destroços do avião. 

Um breve histórico da aeronave.

O Uhu (Coruja de Rapina) é considerado por muitos o melhor caça noturno alemão da Segunda Guerra Mundial. Apesar de suas qualidades excepcionais, poucos exemplares foram construídos. 
A Heinkel estava entre as maiores e mais conceituadas fábricas de aviões da Alemanha dos anos 30 e 40. 

Entretanto, o que muitos julgam ter sido uma um certa dose de “má vontade” do RLM (ReichsLuftfahrtMinisterium, Ministério da Aviação do Reich), e de seu todo poderoso General Erhard Milch em relação a companhia Heinkel, atrapalhou o desenvolvimento da aeronave.

A Heinkel continuou a desenvolver e a construir o modelo apesar da falta de encomendas. O projeto do He 219 começou em 1940 como um avião militar multifuncional e somente em fins de 1941 o modelo se tornou um caça noturno “puro” efetuando seu primeiro vôo em Novembro de 1942.

Houve um encomenda de 300 aeronaves He 219A, incluindo as 130 aeronaves He 219A-0 de pré-produção inicial.

Em apenas seis missões de combate, a nova arma abateu 20 bombardeiros da RAF, incluindo seis Mosquitos, uma aeronave inimiga que nunca havia sido abatido durante a noite.

O estrondoso sucesso do Heinkel He 219 levou os pilotos a pediram mais aeronaves. A Heinkel colocou as unidades fabris de Marienehe e Oranienburg a disposição do He 219. Uma produção de 100 aviões por mês estava prevista, mas em razão dos incessantes bombardeios aliados, nunca foi possível passar da cota de 12 aparelhos mensais.

Equipado com o poderoso sistema de radar frontal FuG 220 SN-2 “Lichtenstein”, radares traseiros, antenas de rádio sofisticadas, assentos ejetáveis e o terrível canhão de 30 mm instalado a ré da cabine, atirando em um ângulo de 180 graus - “Schräge Musik” (Música Oblíqua, o termo com que os alemães então denominavam o Jazz americano, por seu ritmo frenético).

Foi uma aeronave que poderia ter causado um considerável estrago nas forças de bombardeiros noturnos dos aliados, se as intrigas políticas não tivessem sufocado seu desenvolvimento.


Especificações (He 219 A-5)

Classe: Caça Noturno Bimotor

Tripulação........................... 2 homens
Comprimento.......................... 16,34 m 
Envergadura.......................... 18,50 m.
Altura............................... 4,15 m.
Peso vazio........................... 8.350 kg.
Peso Carregado....................... 15.150 kg.
Velocidade máxima.................... 615 km./h.
Teto de serviço...................... 9.800 m.
Alcance Normal....................... 2.850 Km.

Motor:
2 DB 603E de 12 cilindros em V invertido (1.900 hp)

Armamento:
2 MG151 de 20 mm montado numa célula ventral
2 MG151 nas asas
2 MK108 de 30 mm posição dorso/traseira - ângulo de 65º (Schräge Musik)

Vídeo Heinkel He 219 "Uhu"
Fontes

http://guerra-abierta.blogspot.com.es/
www.diasdehistoria.com.ar
www.7sur7.be
www.infobae.com
www.thelocal.de
www.luftwaffe39-45.historia.nom.br

domingo, 8 de abril de 2012

A Última Viagem do Wilhelm Gustloff

   HISTÓRIAS
  A Última Viagem do Wilhelm Gustloff
    The Last Voyage of the Wilhelm Gustloff


Todo mundo já leu ou ouviu falar sobre o naufrágio do Titanic (que completou cem anos no dia 15 de Abril de 2012), e muito pouco se fala sobre o afundamento do Wilhelm Gustloff, um desastre marítimo muito maior.


No final de Janeiro de 1945, bem próximo ao fim da Segunda Guerra Mundial, uma multidão de alemães fugia do cerco soviético na Europa Central.

A situação das tropas alemãs na Prússia Oriental havia ficado insustentável.

Enfrentando temperaturas de até 20 graus negativos, a desesperada massa humana, formada na maioria por mulheres e crianças, tentava chegar até a costa do Mar Báltico na expectativa de embarcar em um navio rumo ao Ocidente.

A retirada de civis alemães tornava-se urgente e foi planejada a evacuação por mar (Operação Hannibal) no Navio Recreio Wilhelm Gustloff, partindo do porto de Gotenhafen com milhares de refugiados que se acumulavam pela cidade.
O Wilhelm Gustloff pertencia à Organização Nazista KDF (Força pela Alegria), e era usado para cruzeiros de férias. A exemplo do Titanic, era um enorme navio de passageiros novo (e relativamente luxuoso). 
Força pela Alegria: Símbolo da KDF (Kraft durch Freude
O comando da nave estava ao encargo de Friederich Petersen e Wilhelm Zahn. 

Contava com uma tripulação provisional (apenas para manutenção em funcionamento), pois estava ancorado havia mais de quatro anos, servindo como quartel flutuante no cais.

O navio deixou o porto em 30 de Janeiro de 1945 com aproximadamente nove mil e seiscentos refugiados e mais (quase) mil tripulantes.
Partiu da Baía de Gdansk e contornou seu cabo, tomando curso em uma rota desimpedida por vários caça minas da Kriegsmarine. Ao cair da noite, avistou-se, da ponte de comando, uma outra flotilha de caça minas navegando em sentido contrário, sendo dada ordem para acender as luzes de navegação, um erro fatal.

O submarino russo S13 (capitão Alexander Marinesko) estava na área e avistou as luzes do grande transatlântico.
Marinesko estava respondendo a um inquérito da policia política soviética, o NKVD por faltas e erros absurdos causados por alcoolismo, e viu no “grande navio alemão” que se aproximava, sua esperança de reabilitação.
Ordenou que quatro torpedos fossem preparados e disparados, no primeiro escreveram "Pela Pátria", no segundo, "Por Stálin", no terceiro, "Pelo o povo soviético" e no quarto, "Por Leningrado".

Uma ironia do destino fez com que somente o torpedo Stálin errasse o seu alvo.  Os demais atingiram o navio na proa, abaixo da piscina e a meia nau.
O Wilhelm Gustloff ainda resistiu por 62 minutos antes de ir a pique, às 22h18.

Os passageiros tomados de pânico, não conseguiram soltar a maior parte dos escassos botes salva-vidas, cujas amarras estavam congeladas.
Estima-se, pela confusão nos registros, que de 8 a 9,6 mil pessoas perderam a vida nas águas geladas (no Titanic morreram 1.523, para se ter uma idéia de comparação). Apenas 964 sobreviveram.

Pesquisas recentes indicam que havia no navio 10.582 pessoas, sendo que dos 964 náufragos resgatados ainda com vida, vários vieram a perecer alguns dias após a tragédia.
Das vítimas, cerca de 4.000 eram crianças e adolescentes, além de vários soldados feridos e refugiados de guerra.

Vídeo: Wilhelm Gustloff

Fontes
www.dw.de
www.natvan.com
www.jornalorebate.com.br
www.oceanliners.com
www.wrecksite.eu
http://lambaritalia.blogspot.com.br
http://pt.wikipedia.org