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sábado, 10 de dezembro de 2011

Kawanishi H8K


  AVIÕES
  Kawanishi H8K
     "Emily"

Resultado de um requerimento da Marinha Imperial Japonesa de 1938, o H8K, cujas especificações se baseavam em uma aeronave com desempenho superior ao Short Sunderland britânico, entraria em serviço para substituir o hidroavião H6K (também fabricado pela Kawanishi).

Apesar de ser considerado quase unanimemente como o melhor hidroavião da Segunda Guerra Mundial, o Kawanishi H8K teve um início de carreira meio conturbado.

O primeiro protótipo, testado em Janeiro de 1941, apresentou sérios problemas de manobrabilidade na água. A parte traseira do casco afundava demais quando o nariz se elevava durante a decolagem, jogando um spray de água nas asas e nos propulsores, tornando a aeronave instável.
Alterações foram aplicadas, sendo a maior delas o redesenho do casco, com o alongamento da parte traseira da fuselagem, resolvendo adequadamente  os problemas verificados na primeira aeronave.

Os militares da Marinha Imperial ficaram satisfeitos com a performance obtida, autorizando um contrato de produção.

Em contraste com o padrão das aeronaves japonesas da Segunda Guerra, o H8K contava com blindagem, tanto para a tripulação, como para os tanques internos (que também eram revestidos com material auto-selante e possuíam um sistema anti-incêndio).
O poderoso hidroavião, projetado para longas patrulhas sobre os mares, deveria ter um grande alcance. Os engenheiros japoneses resolveram isto instalando oito pequenos tanques não blindados de combustível nas asas, além dos seis tanques protegidos no interior da fuselagem. Esta configuração, lhe dava capacidade para decolar carregado com mais de 14 mil litros de gasolina, proporcionando uma autonomia de até 8.300 quilômetros. Os tanques eram interligados e em caso de avaria, o combustível podia ser bombeado entre eles.

No quesito armamento defensivo, a aeronave também estava em um patamar muito acima do padrão japonês. Cinco canhões de 20 mm e mais três metralhadoras de 7,7 mm deveriam proporcionar uma grande barragem de fogo contra eventuais ataques inimigos. Nos modelos de série as armas foram reduzidas para dois canhões e quatro metralhadoras, que ainda lhe davam uma considerável proteção.

Como armamento ofensivo, o avião podia carregar dois torpedos e até 2 toneladas de bombas ou cargas de profundidade.
Para impulsionar o grande "Porco Espinho" (apelido dado pelos pilotos aliados, pois o avião era muito difícil de ser derrubado), quatro motores radiais Mitsubishi Kasei 22 de 1.850 hp (no modelo H8K 2 M 12) movimentando hélices quadripás, foram alojados em suas asas.

No papel de reconhecedor marítimo, o "Emily" se provou uma aeronave bastante versátil e eficaz. Longo raio de ação, blindagens, grande velocidade e bom armamento defensivo lhe proporcionaram a reputação de ser "um pássaro dificil de se abater" entre os aviadores aliados.

Embora concebido como um avião de patrulha de longo alcance marítimo,  sua primeira missão de combate foi, na verdade, um bombardeio a Pearl Harbor, no Havaí. Em uma missão de longo raio de ação, dois aviões do "Kokutai" de Yokohama, baseados nas Ilhas Marshall, decolaram 4 em Março de 1942. Eles foram reabastecidos por um submarino no meio do caminho e seguiram para Oahu, onde nuvens baixas e pesadas frustaram a precisão do bombardeio. Apenas campos foram alvejados, sem vítimas.

Um segundo ataque durante a batalha de Midway teve que ser cancelado porque o ponto de reabastecimento estava repleto de belonaves aliadas.
Durante o restante do conflito, o H8K foi utilizado como avião de reconhecimento de longo alcance, papel para o qual foi projetado originalmente e em que se destacava. Sua alta velocidade permitiu-lhe escapar de muitos caças aliados e suas blindagens e tanques de combustível auto-vedantes lhe davam a maiores possibilidades de sobreviver a um ataque.

No final da guerra, foram produzidas variantes de transporte (com menos armamento defensivo e menor capacidade de combustível), alojando até 64 militares em dois pisos. Também foram fabricadas aeronaves equipadas com radar e alguns modelos dotados de flutuadores de asa retráteis.
Um Emily preservado no Japão
O H8K foi o melhor hidroavião do mundo durante a Segunda Guerra Mundial, e conservou este posto até muitos anos após o conflito. Era pelo 160 km/h mais rápido que o Catalina americano e um pouco maior que o Short Sunderland britânico (cujas linhas foram a inspiração para o seu projeto), mas com pelo menos 2.400 hp a mais de potência, 120 km/h mais rápido e muito melhor armado.

Entrentanto, os aliados produziram muito mais de seus hidroaviões do que os japoneses. Cerca de 750 Sunderlands e mais de 3.200 Catalinas foram fabricados, contra apenas 167 H8K que saíram da fábrica da Kawanishi.

Especificações (Kawanishi H8K2)

Classe: Reconhecedor Naval de Longo Alcance

Tripulação........................... 10 homens
Comprimento.......................... 28,15 m 
Envergadura.......................... 38,00 m.
Altura...............................  9,15 m.
Peso vazio........................... 18.380 kg.
Peso Carregado....................... 24.500 kg.
Velocidade máxima.................... 465 km./h.
Teto de serviço...................... 8.770 m.
Alcance Normal....................... 7.150 Km.

Motor:
4 Mitsubishi Kasei 22 Radiais de 14 cilindros (1.850 hp)

Armamento:
Até 5 Metralhadoras Type 97 de 7,7 mm.
Até 5 Canhões Type 99 de 20 mm.
2 Torpedos
Até 2.000 quilos de bombas ou cargas de profundidade

Vídeo: Kawanishi H8K2 Emily

Fontes:
www.historyofwar.org
www.wwiivehicles.com
www.angelfire.com
www.combinedfleet.com
http://en.wikipedia.org
Livro: Combat Aircraft of World War Two (Bill Gunston)

sábado, 12 de março de 2011

Batalha da Inglaterra: Spitfire vs. BF 109

Batalhas
Batalha da Inglaterra 70 Anos


Supermarine Spitfire vs. Messerschmitt BF 109
"Inimigos até o Fim"


Supermarine Spitfire vs Messerschmitt BF 109
"The enemies until the end "




A seguir, um pouco da história de dois dos mais famosos caças, criados na década de 1930 que foram protagonistas, a partir da Batalha da Inglaterra, em combates que decisivos para os rumos da Segunda Guerra Mundial na Europa.

Messerschmitt BF 109
Em 1934, o Reichluftministerium, ou simplesmente R.L.M. (Ministério Alemão da Aviação) lançou os requerimentos para um novo caça da então clandestina Luftwaffe.

O avião proposto seria monoplace, monoplano, equipado com um motor V12 em linha, refrigerado a água, modelo Junkers 210 ou então BMW 115/116, trem de pouso retrátil e carlinga fechada, armado com um mínimo de duas metralhadoras leves MG17 de 7.9 mm ou um canhão de 20 mm. Facilidade de construção e baixo custo faziam parte das exigências.

Erhard Milch, secretário de aviação, era o principal responsável pela aquisição de material. Por causa de um desentendimento acontecido anos antes com Willy Messerschmitt, com
grande relutância  a firma a Bayerische Flugzeugwerke, ou simplesmente BF, foi aceita na concorrência. Para Messerschmitt era a oportunidade de consolidar a empresa. Ele desenhou um avião com as mais reduzidas dimensões possíveis e que fosse capaz de alojar motor e armamento previstos, a fim de aliar o melhor rendimento aerodinâmico ao  menor peso.
O novo caça possuía, tanto nas soluções adotadas, como no seu desenho, uma semelhança marcante com o BF 108, avião de turismo de alto desempenho desenvolvido por Messerschmitt para concorrer em campeonatos de aviação. Entretanto, e ao contrário do que se acredita, o futuro BF 109 não teria sido baseado naquele, mas antes projetado (secretamente) e desenvolvido em paralelo.
As soluções empregadas eram muito avançadas para a época e apesar de não serem uma novidade absoluta nunca haviam sido adotadas simultâneamente em uma só aeronave. Assim, o BF 109 surgiu como um pequeno avião monocoque, com asas retangulares de uma só longarina e com elevada carga alar (para a época)  a fim de obter a maior velocidade máxima. Era  dotado de flaps e slats para melhorar a sustentação a baixa velocidade e diminuir a velocidade na aterrissagem.

O desenvolvimento do motor Junkers 210 estava atrasado e o do BMW havia sido abandonado. Assim, por ironia do destino, o primeiro protótipo, designado BF 109-A V1, matriculado com o código civil D-IABI, foi equipado com um motor britânico Rolls Royce Kestrel V12 que fornecia 695 hp na decolagem. O primeiro vôo ocorreu em 28 de Maio de 1935.
Em Setembro um outro protótipo, este já motorizado com o Junkers 210A  V12 de 19,7 litros e 610 hp na decolagem, concorreria com os seus três rivais, Focke Wulf, Arado e Heinkel, igualmente motorizados. Entre estes se destacava o He 112, pois os aparelhos das outras duas empresas logo foram considerados projetos de concepção inferior.

Apesar de não agradar de início aos pilotos de teste, habituados a caças biplanos de baixa carga alar e elevada manobrabilidade, a pequena aeronave acabou se impondo graças à sua velocidade, aceleração e capacidade de ascenção. 


Mesmo Udet, que de início havia afirmado "...esta máquina nunca será um avião de caça..." acabou se rendendo às superiores características do aparelho, e convertendo-se em um dos seus defensores.


Apesar de sua pesada carga alar, que limitava a manobrabilidade a baixas velocidades, a superioridade do BF 109 era tal que rapidamente superou tanto o Arado Ar 80 como o Focke Wulf Fw 159, ficando disputa com o Heinkel He-112.


A vitória do BF 109 sobre o He 112, apesar de um pouco inusitada,  por ser  Heinkel um grande e consagrado fabricante, foi absolutamente limpa.


O BF 109 atingiu 469 Km/h,
27 Km/h a mais do que o He-112, realizava curvas dentro do Heinkel, subia melhor, tinha maior aceleração, era mais fácil de construir (o He 112 tinha uma asa elíptica, muito trabalhosa) e era mais barato.
Assim, o fabricante que inicialmente Milch não queria convidar para o concurso e que quando o fez, fez com reservas, acabou por ser o vencedor e fornecer à Luftwaffe o avião mais construído pela Alemanha durante o período da II Guerra Mundial (cerca de 33.000 aparelhos). 
Para muitos de seus adversários, este avião possuía um aspecto sinistro (característica acentuada pelo padrão de pinturas e camuflagens aplicadas às aeronaves do Eixo, idealizadas com o propósito psicológico de impor medo e respeito ao inimígo). Aqueles que o pilotavam, o amavam, apesar de seu cockpit apertado ser considerado por muitos, um "cubículo claustrofóbico".

Suas versões iniciais já eram empregadas em combate na Guerra Civil Espanhola, enquanto aqueles que seriam os seus principais adversários ainda eram apenas um desenho na prancheta ou um protótipo em fase de desenvolvimento.
Praticamente todos os ases da Alemanha voaram e adoraram o sinistro caça da Messerschmitt. Muitos até o final da guerra, abrindo mão de aeronaves mais modernas como o FW 190 da Focke Wulf.
O BF 109 continuou a ser produzido após a guerra, tanto pela Espanha como pela Tchecoslováquia e vários ainda estavam militarmente operacionais ainda em meados dos anos 50.



Especificações (ME 109 F3):

Classe: Caça Monoposto de Asa Baixa
Comprimento........................
.. 8,85 m 
Envergadura........................... 9,92 m.
Altura...................................
.. 2,59 m.
Peso vazio............................
. 1.965 kg.
Peso Carregado....................
.. 2.745 kg.
Velocidade máxima................. 628 km./h.
Teto de serviço....................... 11.600 m.
Alcance Normal...........................700 Km.
Motor:
1 Daimler Benz DB 601E (1.300 hp)
Armamento:
2 Metralhadoras MG 151 de 15 mm.
1 Canhão MG FF de 20 mm. atirando pelo eixo da hélice



Supermarine Spitfire
Reginald Mitchell, projetista chefe da Supermarine, uma relativamente nova e pequena fábrica de aviões, era o responsável direto pela criação de uma série vitoriosa de velozes hidroaviões de competição. Em 1931 foi o vencedor do famoso Troféu Schneider, com o aerodinâmico Supermarine S6B, cujo motor, que havia sido "envenenado" especialmente para a competição, produzia 2.350 h.p.


Da série vitoriosa de aviões de corrida, surgiu o embrião do design de um novo caça monoplano, asa elíptica em cantilever, de um só lugar, fuselagem monocoque, carlinga fechada, trem de pouso recolhível e de aerodinâmica refinadíssima, para a época.
Mitchell, além de um talentoso projetista, era conhecido como um chefe de equipe "durão" mas respeitado por todos. Em 1934, visitou a então Alemanha Nazista e constatou que diante do intenso programa de rearmamento que estava sendo colocado em prática por Hitler, a Inglaterra precisaria de um poderoso caça para fazer frente a essa ameaça potencial.
Como o projeto não despertou grande interesse nos militares britânicos, seu desenvolvimento foi realizado com recursos privados, graças ao empenho pessoal de Reginald Mitchell, com apoio da  Supermarine.


Reunindo todos estes refinamentos da avançada aeronave, com o então recém lançado motor Merlin da Rolls Royce (batizado com o nome de um pássaro, nada tendo a ver com o mágico bruxo da lendária Corte do Rei Arthur), o resultado foi uma mortífera aeronave: veloz, ágil, extremamente dócil aos comandos e equipada com oito metralhadoras nas asas. Atributos que fizeram do Spitfire (gíria inglesa que significa "cuspidor de fogo") a primeira aeronave realmente moderna da Grã-Bretanha no período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial, ainda que ligeiramente inferior em suas versões iniciais, ao caça da Messerschmitt.
Por uma fatalidade do destino, aquele que foi o seu criador, nunca teria oportunidade de assistir a aeronave em combate. Reginald Mitchell foi diagnosticado com câncer no inicio dos anos 30, vindo a falecer em Junho de 1937, aos 42 anos, deixando como legado o principal avião de combate da RAF durante a Guerra.
Assim como o o BF 109, pelo lado do Eixo, o Spitfire foi único caça aliado que operou do início ao fim do conflito.
Durante a Batalha da Inglaterra, diante da inferioridade do Hawker Hurricane frente ao BF 109, os Spits eram, sempre que possível devido à sua ainda reduzida quantidade, colocados para dar combate aos caças germânicos, deixando aos Hurricanes a tarefa de derrubar os bombardeiros inimigos. Porém, importante que a justiça seja feita ao caça da Hawker, que apesar de suas limitações foi - por estar disponível em grandes quantidades - o cavalo de batalha que aguentou o maior peso, pelo lado britânico naquela decisiva batalha.
Mais de 20 versões do Spitfire foram produzidas, incluindo uma versão marinizada  Seafire, em 1942, preparada para operar a bordo dos porta aviões da Royal Navy, com asas dobráveis, trem de pouso reforçado, gancho traseiro e carlinga com melhor visibilidade ao piloto e uma outra versão, Spitfire Mk 14 (1.054 unidades),  produzida nos Estados Unidos a partir de 1944.
Elegante e gracioso, amado por todos os que tiveram a chance de pilota-lo. Suas linhas aerodinamicamente perfeitas e sua bem acabada manufatura fizeram dele uma dos mais famosos aviões já construídos, um "sonho de avião". A produção do Spitfire continuou até 1948.



Especificações (Spitfire Mk VA):
Classe: Caça Monoposto de Asa Baixa
Comprimento........................
.. 9,12 m 
Envergadura.......................... 11,23 m.
Altura...................................
.. 3,02 m.
Peso vazio............................
. 2.267 kg.
Peso Carregado....................
.. 2.911 kg.
Velocidade máxima................. 594 km./h.
Teto de serviço....................... 11.125 m.

Alcance Normal...........................700 Km.
Motor:
1 Rolls Royce Merlin 45 V12 (1.487 hp)
Armamento:
8 Metralhadoras Browning de 7,7 mm.

Epílogo
Restam poucos exemplares dessas verdadeiras legendas aéreas da Segunda Guerra. Alguns em condições de vôo.

No Brasil, os dois podem ser encontrados no museu Asas de Um Sonho, em São Carlos, interior de São Paulo.

http://www.museutam.com.br/home.php.


Vídeo: Veja as duas máquinas em vôo

Fontes do artigo:
www.luftwaffe39-45.historia.nom.br
www.milavicorner.0catch.com
http://en.wikipedia.org
http://fl410.wordpress.com
http://tropaselite.t35.com
http://cavok.com.br/blog
www.grandesguerras.com.br