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quinta-feira, 31 de março de 2011

Filme Batalha da Inglaterra (1969)

Batalhas

Batalha da Inglaterra 70 Anos

Filme: Batalha da Inglaterra
"Battle of Britain" (1969)


Existe um filme que possa ser considerado referência quando o assunto é a Batalha da Inglaterra? 

A resposta é sim, este filme existe e foi lançado na Inglaterra em 1969, com o titulo original "Battle of Britain".

Em meados do anos 60, o produtor de cinema Benjamin Fisz, passeava por um dos muitos parques de Londres e começou a observar um Spitfire que ensaiava acrobacias para um desfile aéreo.
Fisz, nascido na Polônia e radicado na Inglaterra desde a adolescência, relembrou os tempos da Segunda Guerra, em que fora piloto em um esquadrão polonês da RAF. O governo polonês exilado em Londres concedeu-lhe várias medalhas em reconhecimento pela sua coragem.


A lembrança dos tempos heróicos, fez nascer a idéia de um filme que retratasse com a máxima fidelidade as vinte semanas de combate da célebre batalha aérea que foi um dos marcos histórico da Segunda Guerra, por demonstrar ao mundo que Hitler não era invencível e que a Inglaterra era um inimigo difícil de ser batido e não se curvaria tão facilmente ao III Reich.

Projeto na mão, iniciou a busca de recursos. Para sua felicidade, obteve o interesse e apoio tanto do governo Britânico como do governo Espanhol.
A Força Aérea Espanhola forneceu, tripulações, equipes de manutenção e várias aeronaves de projeto alemão fabricadas sob licença naquele país: 

   Casa C-2111 (versão do Bombardeiro bimotor Heinkel 111);
   Casa C-352 (versão do Transporte bimotor Junkers  52);
   Hispano HA 1112-M1L "Buchón"
   (versão do Caça Messerschmitt BF 109). 
   Estes, por sinal, iriam virar sucata.
   Foram vendidos pelo governo espanhol para a Spitfire Productions.

A RAF cedeu, sob empréstimo, alguns Hurricanes e vários Spitfires.

Os Spitfires eram de variadas versões, todas posteriores às utilizadas na Batalha da Inglaterra, sendo necessário modificá-los  a fim de uniformizá-los para  uma versão, assim por dizer, "genérica".
Ainda na Espanha, os Buchóns sofreram um processo semelhante, com modificações estruturais, pinturas e marcações de época, com o objetivo de tornarem-nos semelhantes aos BF 109 alemães. Convém salientar que, os Buchóns (Pombos, em espanhol), eram assim apelidados por possuírem um "peito protuberante", devido ao fato de serem equipados com motores ingleses Rolls Royce Merlin 500-45 no lugar dos originais de projeto Daimler Benz DB 605 alemães. No filme, é possível para quem já viu um BF 109,  observar esta diferença, apesar dos disfarces aplicados.
Para desempenhar o papel dos lendários bombardeiros de mergulho Stuka, a criativa solução foi modificar treinadores ingleses Percival Proctor, inclusive alterando suas asas para o padrão "asa-de-gaivota", num excelente trabalho de transformação, proporcionando imagens bastante realistas na película. Estas aeronaves-réplica, com 3/4 de tamanho do Stuka original, foram carinhosamente batizadas de "Proctukas", pela produção.
 
Também foi utilizado um bombardeiro norte-americano B-25J Mitchell, para levar cinegrafistas e suas câmeras nas tomadas de cenas aéreas. Este avião, apelidado "Monstro Psicodélico" foi providencialmente pintado em cores berrantes (verde, laranja e amarelo), com o objetivo de aumentar a sua visibilidade para os pilotos do lado "inglês"  e também do lado "alemão".
Como principais consultores técnicos, a produção do filme contratou dois pilotos que haviam lutado, em lados opostos, na Batalha da Inglaterra: O alemão Adolf Galland e o inglês Robert Stanford Tuck.
As cenas aéreas foram filmadas, principalmente, a partir dos aeroportos de Tablada, na Espanha e  Tuxford, na Inglaterra, sendo os aviões do "Eixo" manejados por pilotos espanhóis e os aviões da "RAF" por pilotos ingleses.
O resultado desse magnífico esforço e dos 12 milhões de dólares investidos, foi uma superprodução muito bem feita (para a época), que retrata com bastante fidelidade a Batalha da Inglaterra, mostrando o conflito sob vários ângulos: Os alemães, inicialmente cheios de auto-confiança, após expulsarem os ingleses da França; Os pilotos ingleses, exigidos ao máximo, muitos deles inexperientes e em fase de treinamento; As estações de radar e seus operadores, grande parte deles mulheres, desempenhando seu papel com calma e coragem; A população de Londres, massacrada dia após dia pela Blitzkrieg; A tensão e a angústia que os pilotos de ambos os lados experimentavam antes durante e após os combates; O placar diário de aviões derrubados, na contagem, tanto da RAF (transmitida pela BBC, como se fosse o score de uma partida de football aos empolgados Londrinos) como da Luftwaffe.
As cenas de combate aéreo, são empolgantes.
A fita consegue prender a atenção, tanto de entusiastas da Segunda Guerra, entusiastas de aviação como para o público em geral e sua produção acabou contribuindo para preservar várias aeronaves, incluindo um raro exemplar de Spitfire Mk II que estava sendo usado como monumento decorativo na entrada da  Base Aérea da RAF em Colerne.
Para o elenco internacional (predominando ingleses e alemães) foram contratados vários atores e atrizes famosos à época (1969). Muitas falas do filme são em alemão, com legendas em inglês. A trilha sonora, por sua vez, também não fica nada a dever.

Curiosidades:

Na mensagem ao final do filme, no reconhecimento à contribuição dos pilotos de fora do Reino Unido uma série de detalhes estão errados: É mencionado um piloto de Israel, um país que não existia até 1947 (Na verdade ele era da Palestina, sob mandato britânico). Também não há qualquer menção aos dois  pilotos jamaicanos que tomaram parte na batalha, além de um egípcio e um austríaco. Também esqueceram dos pobres italianos que lutaram e tombaram, com suas aeronaves obsoletas, nas operações em que a Régia Aeronáutica de Benito Mussolini tomou parte, apoiando a Luftwaffe.

Os aviões espanhóis eram todos equipados com motores Rolls-Royce Merlin ingleses. Assim, praticamente todos os aviões do filme, tanto britânicos como alemães, utilizavam o mesmo motor.

Depois do filme, um AH-1112 foi doado ao Luftwaffenmuseum der Bundeswehr (Museu da Força Aérea Alemã), e convertido para o padrão Messerschmitt Bf 109 G-2, com as insígnias do Ás alemão Gustav Rödel.

Modelos grandes de aeronaves rádio-controladas foram utilizados nas filmagens, p
ara aumentar o número de bombardeiros de mergulho Ju 87 Stuka, durante os ataques às estações de radar. Vários aeromodelos de Heinkel He 111 também foram construídos e serviram para retratar a cena de bombardeiros sendo abatidos sobre o Canal da Mancha.

Mais de 60% dos aviões do Comando de Caça da
RAF durante a Batalha da Grã-Bretanha eram Hawker Hurricanes. Devido à falta de Hurricanes em condições de vôo, a maior parte das cenas de combate foi realizada com o Supermarine Spitfire. Durante a batalha real, sempre que possível, esquadrões voando Spitfire cuidavam dos caças alemães de escolta, enquanto os Hurricanes atacavam os bombardeiros.

Os produtores conseguiram autorização da RAF, para que um
hangar "Belfast", remanescente da Primeira Guerra Mundial, na Base Aérea de Duxford fosse dinamitado e explodido especialmente para uma das seqüências do filme.

Em 2005 o filme foi lançado em DVD no mercado brasileiro, com o exótico título (para dizer o mínimo) "A Batalha Britânica" (?). Um descuido, pois o filme já vinha sendo exibido nos cinemas brasileiros desde 1969 com o título (correto) "Batalha da Inglaterra".

O grande número de aeronaves reunidas para a produção, fez com que a frota do filme fosse considerada a "35º maior força aérea de combate do mundo", à época.

A maioria dos figurantes nas cenas filmadas em East London e na estação de metrô Aldwich eram realmente sobreviventes da Blitz. Alguns dos extras tiveram que ser retirados porque as cenas eram "muito reais" e "trouxeram de volta memórias dolorosas".

Os Spitfires, Hurricanes, Messerschmitts e Heinkels foram repintados em cores autênticas de 1940, e ficaram tão bem camuflados que não podiam ser vistos contra o solo ou o céu. A maioria das cenas aéreas foi filmada com nuvens ao fundo, pois somente assim os aviões poderiam ser vistos.

O especialista em efeitos especiais americano John P. Fulton iria fazer os efeitos especiais para o filme. No entanto, ele morreu na Inglaterra antes do início das filmagens.

Na Batalha da Inglaterra real, outros aviões alemães foram utilizados, principalmente os caças pesados Messerschmitt 110 e bombardeiros Dornier 17 e Junkers 88. Na hora de realizar o filme, não foi possível obter exemplares em condições de vôo dessas aeronaves.

Um livro sobre a realização do filme (Battle of Britain: The Making of a Film), em capa dura e em brochura, escrita por Leonard Mosley, foi publicado em 1969.


Ficha Técnica

Battle of Britain (Inglaterra, 1969) - Batalha da Inglaterra (BR)
Gênero: Guerra, Drama, Ação
Duração: 133 min. / cor (Technicolor)
Diretor: Guy Hamilton
Roteiristas: James Kennaway e Wilfred Greatorex
Produtores: Benjamin Fisz, John Palmer e Harry Saltzman
Trilha Sonora: Ron Goodwin

Elenco:

Commonwealth

Laurence Olivier (Marechal do Ar Sir Hugh Dowding)
Trevor Howard (Vice-Marechal do Ar Sir Keith Park)
Patrick Wymark (Vice-Marechal do Ar Leigh-Mallory)
Christopher Plummer (Lider de Esquadrão Colin Harvey)
Michael Caine (Líder do Esquadrão Canfield)
Ralph Richardson (Embaixador britânico na Suíça)
Robert Shaw (um anônimo Comandante de esquadrão, com a alcunha "capitão" ou "Rabbit Leader")
Susannah York (Oficial de Seção
Maggie Harvey, esposa de Colin Harvey)
Ian McShane (Sargento-Piloto Andy)
Kenneth More (Capitão de Grupo Barker, comandante da Estação de Duxford RAF)
Edward Fox (Oficial-Piloto Archie)
Michael Redgrave (Vice-Marechal do Ar Evill)

Alemanha

Curd Jürgens (Barão von Richter, na verdade, ministro das Relações Exteriores Joachim von Ribbentrop)
Hein Riess (Reichsmarschall Hermann Göring)
Manfred Reddemann (Major Falke, um devorador de charutos inspirado no Ás Adolf Galland
Wilfried von Aacken (Gen. Osterkamp)
Karl-Otto Alberty (Gen. Jeschonnek)
Helmut Kircher (Boehm)
Alexander Allerson (Major
Brandt)
Paul Neuhaus (Major Boehm)
Dietrich Frauboes (Marechal de Campo Milch)
Malte Pretzel (Coronel Beppo Schmidt)
Alf Jungermann (Navegador do Major Brandt)
Peter Hager (Marechal Albert Kesselring)
Wolf Harnisch (General Fink)
Rolf Stiefel (Adolf Hitler)







Citação:

"Hitler sabe que terá de nos vencer nesta ilha ou perderá a guerra. Se nós conseguirmos resistir a ele, toda a Europa poderá se libertar e a vida no mundo inteiro poderá progredir para situações mais amplas e ensolaradas. Mas, se fracassarmos, o mundo inteiro, incluindo os Estados Unidos, incluindo tudo o que conhecemos e que nos é importante, afundará no abismo de uma nova era de trevas, transformada em algo mais sinistro e talvez até mais desesperado, pelas luzes de uma ciência pervertida. Por esse motivo, vamos aceitar nossos deveres e nos preparar para que, se o Império Britânico e a sua Commonwealth conseguirem existir por mais mil anos, os homens continuem afirmando: - Este foi o seu momento de glória."

Winston Churchill, em seu célebre discurso "Finest Hour", Câmara dos Lordes, Londres
, 18 de Junho de 1940.


Vídeo:
Lider de Esquadrão Polonês da RAF, advertindo seus comandados:
- Never! Repeat, never to be used private polish chit-chat!


(Trad: Nunca! Repito, nunca fiquem de bate-papo particular em polonês !)

Assista uma parte do filme.
(Abrindo essa, você terá acesso às demais).


Fontes do artigo:
www.daveswarbirds.com
www.moviemistakes.com
www.imdb.com
en.wikipedia.org
www.ww2f.com
www.battleofbritain1940.net
www.ww2aircraft.net
myweb.tiscali.co.uk/stephenjrobinson/bobfilmforum.htm
Battle of Britain: The Making of a Film, Leonard Mosley, Pan Books, 1969

sábado, 12 de março de 2011

Batalha da Inglaterra: Spitfire vs. BF 109

Batalhas
Batalha da Inglaterra 70 Anos


Supermarine Spitfire vs. Messerschmitt BF 109
"Inimigos até o Fim"


Supermarine Spitfire vs Messerschmitt BF 109
"The enemies until the end "




A seguir, um pouco da história de dois dos mais famosos caças, criados na década de 1930 que foram protagonistas, a partir da Batalha da Inglaterra, em combates que decisivos para os rumos da Segunda Guerra Mundial na Europa.

Messerschmitt BF 109
Em 1934, o Reichluftministerium, ou simplesmente R.L.M. (Ministério Alemão da Aviação) lançou os requerimentos para um novo caça da então clandestina Luftwaffe.

O avião proposto seria monoplace, monoplano, equipado com um motor V12 em linha, refrigerado a água, modelo Junkers 210 ou então BMW 115/116, trem de pouso retrátil e carlinga fechada, armado com um mínimo de duas metralhadoras leves MG17 de 7.9 mm ou um canhão de 20 mm. Facilidade de construção e baixo custo faziam parte das exigências.

Erhard Milch, secretário de aviação, era o principal responsável pela aquisição de material. Por causa de um desentendimento acontecido anos antes com Willy Messerschmitt, com
grande relutância  a firma a Bayerische Flugzeugwerke, ou simplesmente BF, foi aceita na concorrência. Para Messerschmitt era a oportunidade de consolidar a empresa. Ele desenhou um avião com as mais reduzidas dimensões possíveis e que fosse capaz de alojar motor e armamento previstos, a fim de aliar o melhor rendimento aerodinâmico ao  menor peso.
O novo caça possuía, tanto nas soluções adotadas, como no seu desenho, uma semelhança marcante com o BF 108, avião de turismo de alto desempenho desenvolvido por Messerschmitt para concorrer em campeonatos de aviação. Entretanto, e ao contrário do que se acredita, o futuro BF 109 não teria sido baseado naquele, mas antes projetado (secretamente) e desenvolvido em paralelo.
As soluções empregadas eram muito avançadas para a época e apesar de não serem uma novidade absoluta nunca haviam sido adotadas simultâneamente em uma só aeronave. Assim, o BF 109 surgiu como um pequeno avião monocoque, com asas retangulares de uma só longarina e com elevada carga alar (para a época)  a fim de obter a maior velocidade máxima. Era  dotado de flaps e slats para melhorar a sustentação a baixa velocidade e diminuir a velocidade na aterrissagem.

O desenvolvimento do motor Junkers 210 estava atrasado e o do BMW havia sido abandonado. Assim, por ironia do destino, o primeiro protótipo, designado BF 109-A V1, matriculado com o código civil D-IABI, foi equipado com um motor britânico Rolls Royce Kestrel V12 que fornecia 695 hp na decolagem. O primeiro vôo ocorreu em 28 de Maio de 1935.
Em Setembro um outro protótipo, este já motorizado com o Junkers 210A  V12 de 19,7 litros e 610 hp na decolagem, concorreria com os seus três rivais, Focke Wulf, Arado e Heinkel, igualmente motorizados. Entre estes se destacava o He 112, pois os aparelhos das outras duas empresas logo foram considerados projetos de concepção inferior.

Apesar de não agradar de início aos pilotos de teste, habituados a caças biplanos de baixa carga alar e elevada manobrabilidade, a pequena aeronave acabou se impondo graças à sua velocidade, aceleração e capacidade de ascenção. 


Mesmo Udet, que de início havia afirmado "...esta máquina nunca será um avião de caça..." acabou se rendendo às superiores características do aparelho, e convertendo-se em um dos seus defensores.


Apesar de sua pesada carga alar, que limitava a manobrabilidade a baixas velocidades, a superioridade do BF 109 era tal que rapidamente superou tanto o Arado Ar 80 como o Focke Wulf Fw 159, ficando disputa com o Heinkel He-112.


A vitória do BF 109 sobre o He 112, apesar de um pouco inusitada,  por ser  Heinkel um grande e consagrado fabricante, foi absolutamente limpa.


O BF 109 atingiu 469 Km/h,
27 Km/h a mais do que o He-112, realizava curvas dentro do Heinkel, subia melhor, tinha maior aceleração, era mais fácil de construir (o He 112 tinha uma asa elíptica, muito trabalhosa) e era mais barato.
Assim, o fabricante que inicialmente Milch não queria convidar para o concurso e que quando o fez, fez com reservas, acabou por ser o vencedor e fornecer à Luftwaffe o avião mais construído pela Alemanha durante o período da II Guerra Mundial (cerca de 33.000 aparelhos). 
Para muitos de seus adversários, este avião possuía um aspecto sinistro (característica acentuada pelo padrão de pinturas e camuflagens aplicadas às aeronaves do Eixo, idealizadas com o propósito psicológico de impor medo e respeito ao inimígo). Aqueles que o pilotavam, o amavam, apesar de seu cockpit apertado ser considerado por muitos, um "cubículo claustrofóbico".

Suas versões iniciais já eram empregadas em combate na Guerra Civil Espanhola, enquanto aqueles que seriam os seus principais adversários ainda eram apenas um desenho na prancheta ou um protótipo em fase de desenvolvimento.
Praticamente todos os ases da Alemanha voaram e adoraram o sinistro caça da Messerschmitt. Muitos até o final da guerra, abrindo mão de aeronaves mais modernas como o FW 190 da Focke Wulf.
O BF 109 continuou a ser produzido após a guerra, tanto pela Espanha como pela Tchecoslováquia e vários ainda estavam militarmente operacionais ainda em meados dos anos 50.



Especificações (ME 109 F3):

Classe: Caça Monoposto de Asa Baixa
Comprimento........................
.. 8,85 m 
Envergadura........................... 9,92 m.
Altura...................................
.. 2,59 m.
Peso vazio............................
. 1.965 kg.
Peso Carregado....................
.. 2.745 kg.
Velocidade máxima................. 628 km./h.
Teto de serviço....................... 11.600 m.
Alcance Normal...........................700 Km.
Motor:
1 Daimler Benz DB 601E (1.300 hp)
Armamento:
2 Metralhadoras MG 151 de 15 mm.
1 Canhão MG FF de 20 mm. atirando pelo eixo da hélice



Supermarine Spitfire
Reginald Mitchell, projetista chefe da Supermarine, uma relativamente nova e pequena fábrica de aviões, era o responsável direto pela criação de uma série vitoriosa de velozes hidroaviões de competição. Em 1931 foi o vencedor do famoso Troféu Schneider, com o aerodinâmico Supermarine S6B, cujo motor, que havia sido "envenenado" especialmente para a competição, produzia 2.350 h.p.


Da série vitoriosa de aviões de corrida, surgiu o embrião do design de um novo caça monoplano, asa elíptica em cantilever, de um só lugar, fuselagem monocoque, carlinga fechada, trem de pouso recolhível e de aerodinâmica refinadíssima, para a época.
Mitchell, além de um talentoso projetista, era conhecido como um chefe de equipe "durão" mas respeitado por todos. Em 1934, visitou a então Alemanha Nazista e constatou que diante do intenso programa de rearmamento que estava sendo colocado em prática por Hitler, a Inglaterra precisaria de um poderoso caça para fazer frente a essa ameaça potencial.
Como o projeto não despertou grande interesse nos militares britânicos, seu desenvolvimento foi realizado com recursos privados, graças ao empenho pessoal de Reginald Mitchell, com apoio da  Supermarine.


Reunindo todos estes refinamentos da avançada aeronave, com o então recém lançado motor Merlin da Rolls Royce (batizado com o nome de um pássaro, nada tendo a ver com o mágico bruxo da lendária Corte do Rei Arthur), o resultado foi uma mortífera aeronave: veloz, ágil, extremamente dócil aos comandos e equipada com oito metralhadoras nas asas. Atributos que fizeram do Spitfire (gíria inglesa que significa "cuspidor de fogo") a primeira aeronave realmente moderna da Grã-Bretanha no período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial, ainda que ligeiramente inferior em suas versões iniciais, ao caça da Messerschmitt.
Por uma fatalidade do destino, aquele que foi o seu criador, nunca teria oportunidade de assistir a aeronave em combate. Reginald Mitchell foi diagnosticado com câncer no inicio dos anos 30, vindo a falecer em Junho de 1937, aos 42 anos, deixando como legado o principal avião de combate da RAF durante a Guerra.
Assim como o o BF 109, pelo lado do Eixo, o Spitfire foi único caça aliado que operou do início ao fim do conflito.
Durante a Batalha da Inglaterra, diante da inferioridade do Hawker Hurricane frente ao BF 109, os Spits eram, sempre que possível devido à sua ainda reduzida quantidade, colocados para dar combate aos caças germânicos, deixando aos Hurricanes a tarefa de derrubar os bombardeiros inimigos. Porém, importante que a justiça seja feita ao caça da Hawker, que apesar de suas limitações foi - por estar disponível em grandes quantidades - o cavalo de batalha que aguentou o maior peso, pelo lado britânico naquela decisiva batalha.
Mais de 20 versões do Spitfire foram produzidas, incluindo uma versão marinizada  Seafire, em 1942, preparada para operar a bordo dos porta aviões da Royal Navy, com asas dobráveis, trem de pouso reforçado, gancho traseiro e carlinga com melhor visibilidade ao piloto e uma outra versão, Spitfire Mk 14 (1.054 unidades),  produzida nos Estados Unidos a partir de 1944.
Elegante e gracioso, amado por todos os que tiveram a chance de pilota-lo. Suas linhas aerodinamicamente perfeitas e sua bem acabada manufatura fizeram dele uma dos mais famosos aviões já construídos, um "sonho de avião". A produção do Spitfire continuou até 1948.



Especificações (Spitfire Mk VA):
Classe: Caça Monoposto de Asa Baixa
Comprimento........................
.. 9,12 m 
Envergadura.......................... 11,23 m.
Altura...................................
.. 3,02 m.
Peso vazio............................
. 2.267 kg.
Peso Carregado....................
.. 2.911 kg.
Velocidade máxima................. 594 km./h.
Teto de serviço....................... 11.125 m.

Alcance Normal...........................700 Km.
Motor:
1 Rolls Royce Merlin 45 V12 (1.487 hp)
Armamento:
8 Metralhadoras Browning de 7,7 mm.

Epílogo
Restam poucos exemplares dessas verdadeiras legendas aéreas da Segunda Guerra. Alguns em condições de vôo.

No Brasil, os dois podem ser encontrados no museu Asas de Um Sonho, em São Carlos, interior de São Paulo.

http://www.museutam.com.br/home.php.


Vídeo: Veja as duas máquinas em vôo

Fontes do artigo:
www.luftwaffe39-45.historia.nom.br
www.milavicorner.0catch.com
http://en.wikipedia.org
http://fl410.wordpress.com
http://tropaselite.t35.com
http://cavok.com.br/blog
www.grandesguerras.com.br